Feliz aniversário, filho!

Este post é um candidato ao Melhor post do Mundo, da Limetree.

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08 de junho, 01h03. Há exatamente um ano Bernardo apareceu…

E assim, num piscar de olhos, chegou o seu primeiro aniversário. Chegou como um furacão, abalando todas as minhas estruturas. Causou uma enxurrada de sentimentos e inquietações, que me tiraram o sono nas últimas noites. Só uma certeza se manteve firme no meu coração: eu amo o meu filho! Muito, demais, cada dia mais.

Eu me apaixonei no instante em que vi aquele serzinho minúsculo, enrugado e esbranquiçado, saindo de dentro de mim. Desde então tenho alguém para chamar, verdadeira e irrevogavelmente, de “meu”. É o meu filho. É meu ontem, hoje e amanhã. Sei disso com uma certeza tranquila. Porque, diferente de outras paixões, essa tem a garantia de ser eterna. Namorados, companheiros, maridos, podem não ser para a vida toda. Já com um filho, é outra história. Um filho é para sempre.

Essa paixão, ou melhor, esse amor, que surgiu quando Bernardo nasceu, evoluiu ao longo desses doze meses. Cresceu junto com o meu menino. Quase todo mundo já sabe como um bebê se desenvolve no primeiro ano. Muitos viram, inclusive, a evolução do meu filho – o blog “Conversando com Bernardo” acompanhou seu desenvolvimento passo a passo. Daquele pinguinho de gente que não conseguia sustentar a própria cabeça, meu filho passou a ser um menino esperto que corre para lá e para cá. É um verdadeiro milagre que todas essas mudanças tenham acontecido em tão pouco tempo. Mas o que é ainda mais impressionante é como o Bernardo me mudou em um ano…

Hoje tenho consciência de como sou frágil. Eu que me achava tão firme, tão durona, que era conhecida por meu coração de “ervilhinha”… Hoje me desmonto inteira quando meu menino abre seu sorriso com 6 dentinhos. Eu que era tão independente, tão confiante… Hoje me vejo absolutamente dependente de uma pessoinha de menos de 80 cm de altura. Tenho um medo paralisante de que algo ruim lhe aconteça. Eu que era tão segura, tão decidida… Hoje sinto insegurança quanto a tudo – quanto ao futuro, quanto ao presente, até quanto a minha futura nora!

Hoje sei que eu não fazia ideia do que era amor até agora. Admito que, antes do Bernardo existir, ouvia mães falando sobre esse “amor incondicional” e nem me abalava. Pensava que era exagero, clichê, enfim… Não seria possível ser tão diferente do amor que sinto pelos meus pais, pelo meu marido. Certo? Errado. É diferente. Na verdade, amor mesmo, puro, irrestrito, acho que é só o que se sente por um filho.

É algo inexplicável, que só uma mãe entende. É instinto, cheiro, pele. É visceral. É algo que nos transforma em bicho, sempre alerta, sempre prestes a mostrar as garras para a proteção da cria. É algo que nos faz aceitar os maiores sacrifícios. É arrebatador, lindo e assustador. É algo que acarreta uma importante pergunta, que sempre aponta na minha mente quando penso em aumentar a família: será que serei capaz de amar meu próximo filho do mesmo jeito que amo Bernardo?

Chego a ficar sentada ao seu lado só para observá-lo dormir. E o que é mais grave: faço isso com frequência. Fico ali quietinha, escutando a sua respiração, admirando as suas dobrinhas, a sua perfeição. Sou capaz, sem dúvidas, de passar horas e horas só olhando…

Não consigo compreender, racionalmente, como é possível alguém me provocar tamanho encantamento. Capaz de me emocionar e me fazer sorrir com um simples espreguiçar, um soluço ou um dedinho apontando para o nada.

Enfim, estou deslumbrada com o fato de ser mãe. Vesti a camisa da maternidade, me joguei de cabeça no papel. Pari de forma normal, senti a melhor dor do mundo. Dei peito, dei banho, dei colo. Troquei fralda, acordei nas madrugadas, embalei para dormir. Vi o primeiro sorriso, ouvi a primeira gargalhada, me sujei com a primeira papinha, acompanhei os primeiros passos. Para ficar com Bernardo nesse seu primeiro ano, que é tão importante, parei de trabalhar. Assim, pude me dedicar à profissão “mãe” em período integral nos últimos 12 meses, 24 horas por dia, 7 dias por semana, sem babá ou escolinha.

Nesse tempo descobri que ser mãe é algo maravilhoso, sublime e complexo. Tão complexo que contém um paradoxo: se, por um lado, nunca me senti tão completa, também percebo que nunca fui tão incompleta… Como se um pedaço de mim não me pertencesse. Porque é isso que um filho é: um pedacinho da gente, com vida própria. E as mães costumam se esquecer dessa verdade: filho a gente cria para o mundo. Mas não preciso me preocupar com isso agora, ainda tenho tempo para digerir a ideia antes que Bernardo abra as asas. Afinal, só se foi um ano.

E que ano… Que venham os próximos!

Conversando com Bernardo: Filho, já falei muito por hoje… Só me resta lhe desejar um FELIZ ANIVERSÁRIO!

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Sobre Patrícia A. Graccho Simões

Sou esposa do Alessandro, mãe do Bernardo e do Arthur. Nasci, cresci e até hoje vivo na cidade de Santos/SP. Sou formada em Direito e História, advogada e professora, vegetariana, apaixonada por livros, filmes, viagens e animais.
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